A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (7/10) a Operação Insidioso, com o objetivo de apurar a atuação de um grupo investigado pela prática de ataques de ransomware no Brasil. Na ação, foram cumpridos um mandado de busca e apreensão e um de prisão temporária em Joinville, em Santa Catarina. As medidas foram expedidas pela Vara Regional das Garantias de São Paulo, que autorizou a detenção e a coleta de equipamentos e documentos que podem reforçar o acervo probatório.
A investigação teve início após uma instituição comunicar à Polícia Federal ter sido vítima, em julho, de um ataque cibernético que resultou na extração de dados sensíveis. De posse das informações, os suspeitos teriam passado a exigir pagamento da vítima — o esquema clássico de ransomware conhecido como "double extortion", em que o grupo não apenas criptografa os sistemas, mas também rouba dados para aumentar a pressão pelo resgate. A vítima não teve seu nome divulgado pela corporação.
O investigado alvo das medidas teria atuado como facilitador para a extração dos dados pelo grupo criminoso, o que sugere uma estrutura organizada com divisões de trabalho: uns executam a invasão, outros negociam o resgate e, neste caso, um terceiro teria fornecido acesso ou credenciais para que a extração fosse possível. Esse perfil de "facilitador" é comum em operações de ransomware-as-a-service, em que o acesso inicial é revendido a grupos que dominam a execução.
Os fatos investigados podem caracterizar os crimes de invasão de dispositivo informático e extorsão, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações. A Polícia Federal não divulgou o valor exigido pelo grupo nem a natureza específica da instituição vítima.
O caso se insere em um cenário nacional de crescimento dos ataques. Segundo dados divulgados pela Tecflow em 9 de outubro, o Brasil registrou um aumento de 14,8% nos casos de ransomware em setembro, na contramão de uma queda global. O país tem figurado entre os alvos mais frequentes de grupos criminosos que operam a partir de outros territórios e usam criptomoedas para receber os pagamentos, o que dificulta a rastreabilidade dos recursos.
Especialistas em segurança recomendam que empresas adotem backups offline ou imutáveis, segmentação de rede, autenticação multifator e monitoramento contínuo de logs como camadas de defesa. A operação reforça o papel da Polícia Federal como órgão de primeiro atendimento em casos de crimes cibernéticos, com a possibilidade de representação internacional quando os grupos atuam de fora do país e de cooperação com agências estrangeiras para localizar os servidores e os pagamentos.
Fontes e referências
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